Livro assinado por 21 marcas será lançado na ABF Franchising Expo com o objetivo de “desmistificar” objeções sobre investimento no segmento
Dezenas de redes de franquias de educação de abrangência nacional se uniram para lançar um livro na ABF Franchising Expo 2025, evento que acontece a partir desta quarta-feira (25/6) em São Paulo, com o objetivo de “recuperar o protagonismo” do nicho dentro do setor.
A obra, intitulada “21 Mitos sobre Empreender com Franquias de Educação”, é organizada por Bruno Gagliardi, coordenador da comissão de Educação da Associação Brasileira de Franchising (ABF), CEO do Centro Britânico e sócio das redes Happy e Brasil Canadá. De acordo com ele, o objetivo é desmistificar crenças que teriam sido criadas sobre as empresas do ramo ao longo do tempo.
“Dentro das reflexões que fizemos em conjunto, compilamos informações e identificamos que, quando uma pessoa se interessava por uma de nossas marcas, mas estava em dúvida sobre uma franquia de outro segmento, algumas objeções eram comuns ao segmento como um todo”, diz.
No livro, empresas como Centro Britânico, CNA, Cultura Inglesa, Yázigi e MoveEdu — dono da Prepara Cursos e Microlins — assinam capítulos que tratam individualmente desses entraves relatados. Entre eles, estão máximas como “para ser franqueado precisa ser da área” e “o segmento de educação é saturado”.
O prefácio do livro é assinado pelo empresário Ricardo Young, que foi um dos gestores do Yázigi e também membro fundador da ABF. De acordo com ele, a obra tem ação simbólica, mas pode ser benéfica para o segmento. “Mostra que esse setor continua vivo e criativo”, afirma.
Serão distribuídas gratuitamente 550 cópias do livro na feira. Franqueadoras do setor também poderão distribuir internamente nas redes.
Na visão de Gagliardi, as franquias de educação ainda têm espaço para se desenvolverem, sobretudo na área comercial. “O fenômeno de escolas particulares é relativamente recente, dos anos 1970, 1980. Eu acredito que a gente demorou para dar uma força mais comercial, ver a escola como um negócio, não só como uma questão de propósito”, afirma.
M&As e interiorização na agenda das redes
Nos últimos anos, as redes de educação têm criado alternativas para crescer. Wizard, CNA, KNN e Prepara Cursos, por exemplo, apostaram em expansão por meio de microfranquias em cidades do interior ou até shopping centers. Já Happy e Centro Britânico e CNA e CTRL+Play estiveram no centro de alguns movimentos recentes de M&A.
Panorama do segmento
No ano passado, as marcas de educação faturaram R$ 15,5 bilhões, segundo a ABF, um avanço de 9% em relação ao ano anterior. Foi uma das menores taxas de crescimento do franchising, à frente apenas de Moda (8%). A média do setor foi de 13,5%. Mesmo assim, o segmento mantém números relevantes: são cerca de 280 redes franqueadoras com 15,7 mil unidades em operação.
Em dados referentes ao primeiro trimestre de 2025, educação registrou a maior taxa de abertura de operações de franquia, de 7,3%, nos 12 meses anteriores.
Para o franchising brasileiro, o segmento não só é representativo em termos de volume, mas é emblemático: os primeiros contratos de franquia assinados no país foram de marcas de educação, como o Yázigi, em 1954. Depois, surgiram redes que ajudaram a consolidar o mercado, como CCAA, Wizard, Fisk e CNA. A ABF nasceu em 1987, e a primeira lei de franquias só foi criada em 1994.
“Foram as pioneiras absolutas e durante um tempo reinaram, sem ser ameaçadas por outros segmentos. Depois, surgiram outros nichos, e é natural que a relevância tenha sido diluída”, afirma Marcelo Cherto, presidente e fundador do Grupo Cherto e membro fundador da ABF.
Na visão de Ricardo Young, o avanço da tecnologia, a necessidade de um suporte mais próximo ao franqueado e o ensino à distância foram os maiores desafios, mas também os maiores pontos de inflexão vivenciados pelas franquias de educação nas últimas décadas. “A pandemia mostrou que o ensino virtual é possível. Em vez de você ter escolas inteiras, você tem pode ter pontos de suporte aos alunos”.
Cherto complementa que algumas das razões para a perda de protagonismo do nicho foram o surgimento de segmentos com retornos mais rápidos e de marcas que não conseguiram se reinventar. “Houve também uma comoditização das metodologias, principalmente em idiomas”, diz. “Ainda surgiram muitas plataformas para estudar em casa. Elas podem ser mais efetivas ou menos efetivas, mas definitivamente são alternativas”.
Do lado de potenciais investidores, ele acredita que o surgimento de marcas menos estruturadas contribuiu para esfriar o interesse no segmento. Além disso, é um negócio mais complexo do que outros nichos, pois depende ainda mais de pessoas. “O perfil do franqueado também mudou. Ele busca retorno mais rápido, menor envolvimento operacional e maior escalabilidade”.
Cherto ressalta que, apesar dos desafios comerciais e de inovação, as franquias de educação não perderam a relevância. “A boa notícia é que o mercado é imenso e muito mal atendido”. O especialista afirma que há espaço para crescimento em diversos nichos da educação, sobretudo profissionalizantes, e que as redes têm capacidade não apenas para “recuperar o tempo perdido”, mas, com planejamento e disciplina, “liderar uma nova onda do setor de franquias.”
via Revista PEGN